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Alvaro Valle
Alvaro Bastos Valle

Patrono
IRMANDADE MUÇULMANA: O OVO DA SERPENTE
   
Com o surgimento de um novo foco de tensão no Oriente Médio, o presidente do Egito, Mohammed Mursi, tem a difícil e delicada missão de mediar e manter o equilíbrio entre a Irmandade Muçulmana, que o elegeu, Israel e o Hamas, em Gaza. Isso porque, grupos egípcios manifestam-se no Cairo contra os bombardeamentos israelitas. São manifestantes da Irmandade Muçulmana que votaram recentemente em Mursi e que colocam agora o presidente numa posição mais do que ambígua: entre a fidelidade ao Hamas, a política da boa vizinhança com Israel e as boas relações com Washington.

No bojo dos conflitos registrados na região, principalmente com o aumento das tensões entre Israel e os palestinos liderados pelo Hamas, na Faixa de Gaza, a Irmandade Mulçumana, conhecida apenas como "A Irmandade", ocupa sempre posição de destaque no noticiário internacional. A organização tem hoje representantes em 70 países, que fazem questão de afirmar ter tido ação relevante na maioria dos conflitos pró-islâmico, desde as guerras árabes, a guerra da independência argelina até os recentes conflitos no Afeganistão, na Caxemira e na Faixa de Gaza. Em 2012 nas primeiras eleições no Egito para presidente do país na era pós-Mubarack, foi eleito Mohammed Mursi um representante da Irmandade para ocupar o cargo depois de 84 anos de existência e de anos na clandestinidade. Conhecida como uma organização de posições políticas radicais, a Irmandade opõe-se frontalmente às tendências seculares de algumas nações islâmicas como a Turquia, Líbano, Egito, Marrocos e pretende retomar os ensinamentos do Corão, rejeitando qualquer tipo de influência ocidental. Também rejeita as influências Sufi e o chamado "islamismo moderado". O lema da organização é: "Deus é o único objetivo. Maomé o único líder. O Corão a única Lei. A jihad é o único caminho. Morrer pela jihad de Deus é a nossa única esperança".

Segundo o jornalista Luis Manuel Cabral, da Agência Lusa, a Irmandade Muçulmana tem suas raízes no Nazismo. Ele se baseia no livro "Aliança Sagrada" (Unholy Alliance), do historiador Peter Levenda, que conta a trajetória do oficial das SS Otto Skorzeny, famoso, entre outras façanhas, por ter liderado o grupo de comandos que libertou o ditador Benito Mussolini do hotel em que estava detido depois do golpe que o retirou do poder, em 1934. Otto, que se refugiou no Egito após o fim da guerra, criou uma "Gestapo" egípcia formada quase completamente por antigos oficiais das SS. De acordo com o autor, esta foi uma medida que recebeu forte apoio de Allen Dulles, então diretor da CIA, numa operação envolveu a Irmandade Muçulmana, na época associada aos nazistas e que nos tempos mais recentes deu origem à al-Qaeda.

A ligação entre os muçulmanos radicais e os nazistas, segundo outro escritor, Jim Marrs, no seu livro "A Ascensão do Quarto Reich", começou com o fundador Hassan al-Wahhab, recrutando um grupo dedicado à reforma social e à moral islâmica. Wahhab era um devoto seguidor de Muhammad ibn Abd al-Wahhab, o líder do século XVIII que fundou a seita Wahhabi, que ensina que qualquer aditivo ou interpretação à lei islâmica posterior ao século X é falsa, devendo por isso ser erradicada de qualquer forma, nem que seja pela violência.

Apesar das prisões, deportações e execuções de muitos dos seus membros no passado, a Irmandade Muçulmana não foi destruída nem por Mubarak, nem antes por Nasser ou pelo rei Farouk que a viu nascer em 1928. Hoje, seus seguidores estão nas ruas, com mais força que nunca, na defesa da causa palestina.

O novo presidente do Egito tem a difícil e delicada missão de mediar o equilíbrio entre a Irmandade Muçulmana, que o elegeu, Israel e Gaza. Isso porque, grupos egípcios organizam diariamente manifestações no Cairo contra os bombardeamentos israelitas em Gaza. São manifestantes que votaram recentemente em Mohamed Mursi e que colocam o presidente numa posição mais do que ambígua: entre a fidelidade ao Hamas, a política da boa vizinhança com Israel e as boas relações com Washington.

Procedente de um partido historicamente próximo do Hamas e à frente de um país unido a Israel por um grande número de tratados de paz, Mursi tem pouca margem de manobra. Além de suscitar esperanças no Egito, a sua eleição em março deste ano devolveu o otimismo aos membros do Hamas em Gaza. Por isso há muitos analistas que consideram possível que a eleição de Mursi marque uma virada política substancial em relação aos territórios palestinos. O Hamas e a Irmandade Muçulmana têm um passado comum, e os egípcios sempre simpatizaram com a causa palestina. Este é o perigo do ovo da serpente.



   
 
 
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