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Alvaro Valle
Alvaro Bastos Valle

Patrono
SNOWDEN, UMA FARSA AMERICANA ?
   
E se o conturbado caso do ex-agente da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden, com asilo provisório fornecido pela Rússia, for apenas uma grande farsa montada pela CIA (agência de espionagem americana) e sua congênere FSB (a agência russa de informação que sucedeu a KGB) com a finalidade de isolar e obrigar os demais serviços de inteligências do mundo a sair do anonimato, especialmente a dos países da União Europeia, mostrando seus aparatos de espionagem e as áreas cobertas?

Esta tese, que a primeira vista parece um delírio, vem sendo defendida por vários analistas internacionais, segundo os quais a finalidade maior é identificar com maior precisão os programas que estão sendo utilizados por estes países, especialmente pela Alemanha, com um programa de espionagem conjunto com os EUA desde o início da década de 60 mas que, segundo matéria publicada pela revista local Der Spiegel, sabia que estava sendo espionada e cancelou o acordo. Para os analistas, o interesse dos americanos visa apenas saber que áreas de espionagem industrial e comercial estão sendo vasculhadas pelos países da União Europeia e com que tipo de programas. Isto porque a ação dos hackers hoje deflagrou uma verdadeira guerra cibernética que tem como principais combatentes os Estados Unidos e a China. E tudo está sendo vasculhado. Mas o grau de sofisticação dos programas de espionagem da CIA pode ser aquilatado por um aplicativo "filhote" de um desses programas, chamado Shazam, que pode ser implantado desde um celular a um tablete e capturar um trecho de música que esteja tocando em um rádio de um carro ou na televisão.

Mas diante da indignação e da solicitação de informações de seus parceiros europeus o presidente Barack Obama defendeu seus polêmicos programas de espionagem, que cruzaram fronteiras e afetaram a União Europeia (UE), a ONU e outros países como Japão e México. Longe de tentar encontrar desculpas, tanto Obama como o secretário de estado John Kerry deram a entender que essa espionagem das comunicações não é incomum e que muitos outros países também a praticam. Todos os serviços de inteligência nos EUA, na Europa e na Ásia tentam entender melhor o mundo e o que está acontecendo nas capitais através de fontes que não estão disponíveis no New York Times ou na NBC News, argumentou Obama."Garanto que nas capitais europeias há quem esteja interessado, talvez não no que tomei no café da manhã, mas sim em quais são meus principais temas de conversa quando me reúno com seus dirigentes", acrescentou.

O escândalo da espionagem começou há algumas semanas quando Edward Snowden, ex-técnico da CIA e da Agência de Segurança Nacional (NSA), revelou aos jornais "The Guardian" e "The Washington Post" a vigilância realizada pelo governo dos EUA aos registros telefônicos e dados de internet de milhões de seus cidadãos para espionar contatos no exterior com suspeitos de terrorismo.

Mas a polêmica cresceu por causa das últimas revelações de Snowden sobre a espionagem dos EUA a União Europeia (UE), - principalmente a Alemanha, ONU e 38 embaixadas de países como Japão e México.Obama afirmou que seu governo está revisando as acusações de espionagem a países aliados e prometeu proporcionar a essas nações "toda a informação" que precisarem. "Os Estados Unidos responderão oportunamente pelos canais apropriados", informou em Washington Patrick Ventrell, um porta-voz do Departamento de Estado, acrescentando que serão levadas em conta as "preocupações dos países supostamente vigiados".

Segundo Michaela Rehle da Agência Reuters, os EUA dedicam especial atenção à política externa, comércio internacional e estabilidade econômica aos países que espionam em tempo integral. E a União Europeia é um dos principais alvos dos programas de espionagem, de acordo com documentos confidenciais recolhidos por Edward Snowden e divulgados pelo site da revista alemãDer Spiegel. Num relatório datado de Abril de 2013, a Agência de Segurança Nacional (NSA) define uma escala de 1 a 5 para classificar países e assuntos de acordo com a sua importância para os interesses norte-americanos, sendo 1 a prioridade máxima.

Entre os alvos prioritários dos serviços de espionagem norte-americanos estão países como a China, o Irã, o Paquistão, a Coreia do Norte e o Afeganistão. Segundo a revista Der Spiegel, os documentos mostram que a NSA está especialmente atenta aos assuntos de política externa, comércio internacional e estabilidade económica da União Europeia e, em especial, da Alemanha. Temas como a inovação tecnológica, a segurança energética ou a alimentação estão entre os que despertam menos interesse ao governo dos Estados Unidos, Segundo a revista um relatório da NSA confirma notícias sobre a espionagem de representações da União Europeia em Washington e Nova Iorque.

Alemanha e França são os dois países com mais destaque no radar dos serviços secretos dos Estados Unidos, à frente de Itália e Espanha A Der Spiegel não faz referência ainda ao Reino Unido.Segundo a revista alemã a maioria dos países europeus não está entre os prioritários na lista da NSA, dando como exemplos a Finlândia, a Croácia, a Dinamarca e a República Checa. Na segunda-feira, a ministra alemã da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, disse que a União Europeia deve penalizar os atos de espionagem por serviços secretos estrangeiros. "As empresas americanas que não respeitem essas medidas devem ser excluídas do mercado europeu", afirmou a ministra, em entrevista ao diário Die Welt. Dois dias antes destas declarações, o Governo da Alemanha anunciou o fim de um acordo de espionagem com os Estados Unidos e com o Reino Unido, assinado na década de 1960.



   
 
 
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